Mostra “Buster Keaton – O mundo é um circo” traz 70 filmes do emblemático ator e diretor do cinema mudo para o CCBB Rio de Janeiro

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A comédia visual trouxe para o cinema uma gama de interpretações e gags que são referência para muitos atores e diretores até os dias de hoje. E o nome de Buster Keaton (1895 -1966) se configura no alto posto como um dos mais inventivos criadores desta arte. Para cineasta Orson Welles ele é o maior ator-diretor da história do cinema. Com patrocínio do Banco do Brasil e incentivo da Lei Rouanet, a mostra “Buster Keaton – O mundo é um circo” aterrissa no CCBB Rio de Janeiro, de 26 de setembro a 14 de outubro, para ratificar a importância deste artista que revolucionou a esfera da sétima arte. A mostra traz também sessões musicais acompanhando a exibição de filmes, livro-catálogo, curso de cinema sobre a obra de Buster Keaton, masterclass, debate e sessão com audiodescrição. A mostra ainda passará pelo CCBB Brasília (09/10 a 28/10) e CCBB São Paulo (11/10 a 05/11).

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Com curadoria do professor, crítico e pesquisador Ruy Gardnier e do produtor e realizador Diogo Cavour, a mostra é a maior retrospectiva feita sobre o Buster Keaton em solo brasileiro. Serão exibidos 70 filmes divididos em 22 longas, 48 curtas e médias metragem, em formatos película (17 obras) e digital, em que os espectadores farão uma grande imersão na obra de Keaton, e identificarão, por exemplo, a característica que ficou para sempre associada ao ator: uma de suas grandes inovações é o fato de sua comédia se basear num personagem impassível, que mantém as mesmas feições diante dos fatos ocorridos – isso explica os apelidos dados a ele pelos críticos: “O grande cara de pedra” e “O homem que nunca ri”. O artista percebeu que ao não modificar sua expressão facial o espectador projetaria nele suas aspirações sentimentais, sensoriais e morais. Buster Keaton faleceu aos 70 anos de idade, e durante sua vida não foram poucas as vezes em que ele se arriscou em cena quando jovem: o acrobático ator e diretor fazia piadas usando diversos obstáculos em suas cenas – e influenciou nomes como Jacques Tati (“As Férias do Sr. Hulot”, de 1953 ) e Jackie Chan (“Police Story”, de 1985).

Com o fim da era silenciosa, Keaton perdeu a autoria de seus filmes e participou de projetos menores. Desse período, curtas inéditos no Brasil e longas raros como “O Rei da Champs Elyseés” e “O Moderno Barba Azul” (produções Francesa-mexicana protagonizado por Keaton nos anos 1940) serão exibidos em sessões especiais durante o evento. No fim dos anos 50, o cineasta foi redescoberto pela crítica e aclamado em festivais europeus, podendo assim retomar o prestígio e realizar projetos maiores. Desse momento, estão dois clássicos filmes do cinema (“Luzes da Ribalta”, de Charles Chaplin; e “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder) que lhe rendem homenagem e que também serão exibidos na mostra. Uma preciosidade em particular é “Film” (1965), filme com roteiro do escritor irlandês Samuel Beckett e que foi protagonizado por Keaton quando tinha 70 anos, com direção de Alan Schneider.

Segundo Diogo Cavour, a ideia é apresentar um amplo conjunto de obras das mais diferentes fases de Buster Keaton. “A mostra contará com a filmografia completa do início da carreira, de 1917 a 1930 – quando se tornou o maior astro do cinema mudo, junto com Charles Chaplin, entre eles “Sherlock Jr.” (1924), “A General” (1926) e “O Homem das Novidades” (1928), descreve o curador.

Um outro presente da mostra para o público será o livro-catálogo de 200 páginas (primeira publicação sobre o autor em língua portuguesa), com textos de grandes estudiosos da obra de Keaton, como David Robinson (crítico de cinema e autor inglês), Jean-Pierre Coursodon (crítico francês e historiador de cinema) e André Martin (crítico de cinema e diretor de filmes de animação franceses e colaborador da revista Cahiers du Cinema), além de artigos inéditos sobre os filmes do diretor-ator.

Mostra Buster Keaton – O mundo é um circo

Centro Cultural Banco do Brasil : Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

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